INFLUÊNCIA DOS ALIMENTOS ULTRAPROCESSADOS EM FATORES SOCIODEMOGRÁFICOS DA POPULAÇÃO BRASILEIRA
Resumo
Eixo temático: Alimentação e saúde pública
INFLUÊNCIA DOS ALIMENTOS ULTRAPROCESSADOS EM FATORES SOCIODEMOGRÁFICOS DA POPULAÇÃO BRASILEIRA
Maria Luiza Queiroz Rocha Oliveira¹; Elieide Soares Oliveira²
Introdução: O consumo de alimentos ultraprocessados tem aumentado globalmente e representa um desafio à saúde pública, sobretudo em países em desenvolvimento. Esses produtos, elaborados com ingredientes industriais e aditivos, estão associados a padrões alimentares inadequados e ao aumento da prevalência de doenças crônicas não transmissíveis (DCNTs). No Brasil, o consumo crescente é influenciado por fatores sociodemográficos, como idade, escolaridade, renda e urbanização. Compreender essa relação é fundamental para subsidiar políticas públicas e incentivar escolhas alimentares mais saudáveis. Objetivo: Analisar a relação entre fatores sociodemográficos e o consumo de alimentos ultraprocessados na população brasileira. Metodologia: Trata-se de uma revisão bibliográfica integrativa realizada nas bases Google Acadêmico, SciELO, PubMed e Science Direct, considerando artigos publicados entre 2015 e 2023. Foram utilizados descritores como: consumo de ultraprocessados, saúde pública, Guia Alimentar para a População Brasileira e estratégias de redução do consumo. Resultados e discussões: Os estudos analisados evidenciam associação significativa entre fatores sociodemográficos e o consumo de ultraprocessados. Indivíduos de maior poder aquisitivo apresentam maior acesso a esses produtos, porém observa-se também o crescimento do consumo entre grupos de menor renda, o que aumenta desigualdades alimentares e impacta negativamente a saúde. A urbanização intensifica o acesso e a publicidade de ultraprocessados, enquanto regiões periféricas enfrentam limitações no acesso a alimentos in natura, resultando em dietas de baixa qualidade nutricional.
Esse quadro reflete a transição nutricional das últimas décadas, marcada pela substituição de alimentos tradicionais por produtos industrializados, influenciada pela globalização, pelo estilo de vida moderno e pelas estratégias de marketing voltadas principalmente a populações mais jovens e vulneráveis. Apesar da conveniência e acessibilidade, o consumo excessivo desses alimentos traz riscos á saúde, reforçando a necessidade de medidas eficazes para reduzir seus efeitos. Entre ações mais recomendadas, destacam-se: rotulagem nutricional clara e objetiva, incentivo à agricultura familiar, regulamentação da publicidade infantil e ampliação de programas de educação alimentar e nutricional. Essas estratégias são fundamentais para reduzir o consumo de ultraprocessados e promover escolhas alimentares mais saudáveis, contribuindo para a diminuição de doenças crônicas associadas. Considerações finais: Conclui-se que o consumo de ultraprocessados está fortemente relacionado a fatores sociodemográficos e deve ser amplamente debatido para fundamentar políticas públicas em saúde. A conscientização da população, aliada a medidas de regulação governamentais e ao incentivo a práticas alimentares mais saudáveis, contribui para reduzir os impactos negativos desse padrão alimentar e melhorar a qualidade de vida da população brasileira.
Palavras-chave
Alimentos ultraprocessados. Saúde pública. Fatores sociodemográficos. Políticas públicas.
REFERÊNCIAS
BRASIL. Ministério da Saúde. Guia alimentar para a população brasileira. 2. ed. Brasília: MS, 2014.
MONTEIRO, C. A. et al. Ultra-processed foods: what they are and how to identify them. Public Health Nutrition, v. 22, n. 5, p. 936-941, 2019.
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