AVALIAÇÃO NUTRICIONAL EM IDOSOS INSTITUCIONALIZADOS: BARREIRAS E POSSIBILIDADES
Palavras-chave:
Avaliação nutricional. Antropometria. Idosos institucionalizados. Desafios.Resumo
O envelhecimento populacional no Brasil tem ocorrido de forma acelerada, resultando em transformações no perfil epidemiológico e na organização dos serviços de saúde. Projeções do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) indicam que, até 2030, o número de idosos superará o de crianças e adolescentes, configurando importantes demandas para o Sistema Único de Saúde (SUS). Nesse contexto, a avaliação nutricional emerge como instrumento fundamental para prevenir agravos, monitorar riscos e promover qualidade de vida.
O estudo teve como proposta analisar, a partir de uma vivência acadêmica em uma instituição de longa permanência na Bahia, os principais obstáculos e potencialidades do processo de avaliação nutricional em idosos institucionalizados. Trata-se de um relato de experiência de caráter descritivo e observacional, desenvolvido em maio de 2025 com 23 idosos. Devido às limitações físicas, motoras e cognitivas, grande parte da população avaliada exigiu adaptações metodológicas, como estimativa da altura pelo joelho e utilização das circunferências do braço e da panturrilha. Além disso, foram considerados dados clínicos, uso de medicamentos e informações sobre consumo alimentar.
Os resultados mostraram que apenas uma pequena parcela pôde ser avaliada por métodos convencionais de peso e altura, enquanto a maioria necessitou de medidas alternativas. Observou-se prevalência de desnutrição entre acamados e cadeirantes, ao passo que idosos com mobilidade preservada apresentaram casos de sobrepeso e obesidade, evidenciando a coexistência de diferentes condições nutricionais no mesmo grupo. Sinais clínicos como fraqueza muscular, escaras e inapetência reforçaram a vulnerabilidade dessa população e a necessidade de acompanhamento integral.
A experiência revelou não apenas o estado de saúde e nutrição dos idosos, mas também a relevância da flexibilidade metodológica e da atuação multiprofissional no cuidado institucionalizado. Para os acadêmicos, o contato com essas barreiras contribuiu para a formação de competências técnicas e éticas, estimulando uma prática mais crítica, humanizada e adaptada às realidades da geriatria. Ressalta-se o papel central do nutricionista na identificação precoce dos riscos nutricionais e na promoção da qualidade de vida, sendo fundamental investir na presença de profissionais qualificados em instituições de longa permanência, de modo a assegurar um cuidado mais resolutivo e eficaz para uma população em maior vulnerabilidade.