POR QUE O ENSINO DAS LITERATURAS AFRO-BRASILEIRA E AFRICANA, NAS ESCOLAS BRASILEIRAS, DEVE TER PREDILEÇÃO POR AUTORAS E AUTORES DA PELE DA COR PRETA:
um encontro entre Conceição Evaristo e Paulina Chiziane
Palavras-chave:
literatura, afro-brasileira, literatura afrodiaspórica, ensino, Conceiçao Evaristo, Paulina Chiziane, mulher preta, racismoResumo
O presente artigo objetiva discutir, no âmbito da contemporaneidade, a ideia de representatividade contida em duas obras literárias, escritas por mulheres da pele da cor preta, a saber: Poemas da recordação e outros movimentos, de Conceição Evaristo (afro-brasileira) e O canto dos escravizados, de Paulina Chiziane (moçambicana), raríssimas presenças no escopo da literatura ocidental e, por isso, dignas de nota. Para tanto, o artigo vale-se de operadores representacionais, a partir de Ribeiro (2017), Bento (2022) e Carine (2023), três pensadoras pretas, focando o ideário representacional no âmbito da cor da pele. Com efeito, o artigo ressalta que o ensino das literaturas afro-brasileira e africana, nas escolas do Brasil atual, não pode prescindir da ênfase na produção de escritoras e escritores da pele preta e das suas imagens, mostrando como esse enfoque, na atualidade nacional, pode promover uma espécie de “catarse” no imaginário de alunas, alunos e docentes pretos, empoderá-los, retirando-os dos estereótipos e das mutilações diversas que caracterizaram o ensino nacional e os espaços escolares – públicos e privados – durante séculos. Ao constatar que a cor da pele importa, este artigo intenciona conceder às mulheres e homens da pele da cor preta, ainda principais vítimas das mazelas causadas pelo racismo estrutural e institucional, o protagonismo pela sua luta e emancipação. Por fim, ao utilizar autoras e teóricas pretas, o artigo ainda pretende, a um só golpe discursivo, desconstruir dois estereótipos – os da mulher preta como intelectual e literata, que quase nunca esteve na cartografia da majoritária representação literária e epistemológica ocidental, ainda alicerçada em uma configuração machista e excludente.

